Rede de Telemetria do Espaço CRIA
Projeto aprovado pela FACEPE no Edital Espaços CRIA 2026 e já em execução na ETE Epitácio Pessoa: uma plataforma aberta de monitoramento IoT construída por quatro estudantes bolsistas do ensino médio.
Aprovado e em execução
A proposta “Rede de telemetria do Espaço CRIA: plataforma aberta de monitoramento para projetos de IoT” foi aprovada no Edital nº 19/2026 da FACEPE — Espaços CRIA, com resultado final publicado em 20 de julho de 2026. Com o Termo de Outorga assinado, o projeto entrou em execução no Espaço CRIA da ETE Epitácio Pessoa, em Cabo de Santo Agostinho, para uma vigência de seis meses.
Os estudantes selecionados
A chamada interna recebeu inscrições em agosto e a comissão avaliou cada candidato somando a média escolar e uma entrevista técnica, cada uma valendo até 50 pontos. O resultado foi homologado em 3 de agosto de 2026, e as quatro bolsas ficaram com:
- Isabel Gabriely Demesio Florencio — TRC1IN-A
- Douglas Edgar da Silva — TRC1IN-A
- Dayvyd Carlos Lima da Silva — ADM2IN-A
- Neemias Vicente da Silva — ADM2IN-B
Cada um recebe uma bolsa de iniciação científica (BFI-10) da FACEPE durante os seis meses do projeto, com dedicação às atividades técnicas e à documentação da plataforma.
O que a equipe vai construir
Hoje, cada projeto de IoT do Espaço CRIA nasce do zero: o estudante monta o circuito, escreve o firmware, inventa um jeito de guardar os dados e, quando o projeto acaba, tudo aquilo se perde. A ideia aqui é diferente — construir uma infraestrutura comum que os próximos projetos simplesmente usem.
A plataforma tem quatro camadas:
- Nós de campo — placas ESP32 com uma biblioteca-padrão, lendo os sensores e publicando as medições pela rede Wi-Fi.
- Broker MQTT — um servidor Mosquitto com catálogo de tópicos organizado, por onde passam todas as mensagens.
- Banco de séries temporais — InfluxDB, que guarda o histórico das medições.
- Painel web — em Node.js com Fastify e Socket.IO, mostrando as leituras ao vivo.
Dois projetos-teste
Uma plataforma só prova que funciona quando alguém a usa. Por isso ela nasce validada em dois projetos reais:
Monitor de qualidade do ar. A evolução direta da oficina de Monitor de Gases realizada em 2025: o protótipo sai do Arduino Uno e migra para o ESP32, ganhando Wi-Fi, histórico e painel — deixa de ser um alarme isolado e vira uma estação de monitoramento.
Bancada hidropônica NFT. Uma horta de 25 plantas em estrutura de PVC, instrumentada com sensores de pH, condutividade elétrica, vazão, nível, temperatura e luminosidade. É o caso mais exigente: pH e condutividade são sinais delicados demais para o conversor analógico do ESP32 e pedem um ADS1115 de 16 bits, além de calibração de dois pontos com soluções-tampão.
O critério de aceitação foi definido em números: exatidão de ±0,2 no pH e ±5% na condutividade, verificados num ensaio contínuo de 24 horas.
A primeira reunião
Em 27 de agosto de 2026 a equipe se reuniu pela primeira vez no Espaço CRIA. Sem sensor, sem solda, sem código — o encontro foi inteiro sobre como o trabalho vai ser feito, que é o que costuma decidir se um projeto de seis meses chega inteiro ao fim.
A ideia central. Antes de qualquer coisa, ficou claro para todos o que estamos construindo: não é um sensor, nem uma horta, nem um painel bonito. É uma plataforma — uma base comum que os próximos projetos do Espaço CRIA vão reaproveitar em vez de recomeçar do zero. Os dois projetos-teste existem para provar que essa base funciona, e não o contrário.
O caderno de laboratório. Registrar o que se faz é parte do método científico, não burocracia. Cada estudante passa a manter um caderno com o que tentou, o que deu errado e por quê. Uma medição sem registro de quando, como e com qual calibração foi feita não vale como dado — e daqui a três meses, quando um valor estranho aparecer no painel, é o caderno que vai explicar o que aconteceu.
O método Git. O caderno de cada um é individual; o do projeto é coletivo, e fica no Git. Discutimos por que o versionamento existe — o histórico de tudo o que muda, quem mudou e o que havia antes — e como o GitHub será o lugar onde o projeto se torna público. Como o repositório é um só, os quatro precisam entrar nele como colaboradores; foi o primeiro acerto prático da equipe.
A formação vem junto
Nada disso funciona se a equipe não souber fazer. O projeto tem um plano de formação de 13 oficinas distribuídas ao longo dos seis meses — método de trabalho e Git, lógica de programação, eletrônica básica, ESP32, sensores, calibração, MQTT, banco de dados, painel web, hidroponia, impressão 3D e produção de mídia.
O princípio é o mesmo das outras oficinas do Espaço CRIA: prática primeiro. A teoria entra para explicar o que a bancada já está fazendo, não antes. E cada estudante passa por pelo menos duas das quatro frentes — firmware, servidor, instrumentação e documentação —, escrevendo os tutoriais do que aprendeu. Quem documenta um sensor é quem realmente o domina.
Os abrigos dos nós são modelados e impressos pelos próprios estudantes em impressora 3D, o que traz para dentro do projeto mais uma competência: modelagem, fatiamento e fabricação.
Aberto desde o começo
Todo o resultado é público: o código sob licença MIT no GitHub, e os tutoriais, vídeos e modelos 3D sob Creative Commons CC BY. A meta é que outra escola consiga reproduzir a plataforma inteira a partir do que esta equipe escrever — e que o próximo estudante do Espaço CRIA comece o projeto dele do quarto andar, não do térreo.
Agradecimentos







